A soberba de Lula e o que a história não nos ensinou

A Lei da Ficha Limpa foi criada em 2010 para banir a corrupção da política brasileira. O país clamava por moralidade e foi o então presidente Lula quem a sancionou. Ah, se arrependimento matasse, não é?

A lei proíbe políticos condenados em segunda instância de se candidatarem. E foi com base nessa lei que o ministro Luís Roberto Barroso, do TSE, declarou a inelegibilidade de Lula.

Restou ao PT avaliar como o ex-presidente pode transferir seus votos para Fernando Haddad. Mesmo na cadeia, Lula lidera as pesquisas com mais de quarenta por cento do eleitorado.

O ex-presidente tem fama de eleger o que bem quiser: um poste, um hidrante, a Dilma… Com Lula fora da disputa, Haddad assumirá seu lugar e poderá mostrar se é um poste ou uma alternativa viável ao PT. Por outro lado, sem Lula o PT se desidrata e perde espaço, principalmente, para Ciro, Marina e Boulos.

No Brasil, enquanto os conservadores avançam, a esquerda dividida revive um cenário bem conhecido. Qualquer semelhança com a eleição de Collor não é mera coincidência. Tanto lá quanto agora, é Lula – e sua insaciável ambição política – quem dá as cartas.

Num país aonde a memória é incinerada nas fogueiras incompetência, o passado parece não nos ensinar nada. Ao contrário, cada novo sobressalto parece apagar aquilo que já vivemos.