Bolsonaro afirma que ministro mentiu

Após 17 dias internado, o presidente Jair Bolsonaro desembarcou ontem (13) em Brasília, com uma série de arestas a serem aparadas, dentro do seu partido, o PSL.

A principal crise que domina o noticiário político da capital federal é com o ministro da Secretaria-Geral da Presidência, Gustavo Bebianno, que está sendo acusado de usar candidaturas-laranja de mulheres para a Câmara Federal.

Entenda o caso

O atual ministro era o presidente do PSL no período eleitoral, quando o partido lançou aparentemente candidaturas fictícias. Uma delas, a de Maria de Lourdes Paixão (PSL-PE), recebeu 400.000 reais do fundo partidário, que é composto de dinheiro público. Outra, de Érika Siqueira Santos (PSL-PE), recebeu 250.000 reais, autorizados por Bebianno. Os casos foram revelados pelo jornal Folha de S. Paulo. Advogado de formação, o atual ministro se aproximou de Bolsonaro há apenas dois anos. Em 2018, a pedido de Bolsonaro, assumiu interinamente a presidência do PSL para conduzir a campanha. (El País)

Roupa suja não se lava em casa

Bolsonaro endossou críticas públicas a Bebianno feitas por um de seus filhos, o vereador Carlos Bolsonaro. Ele publicou um áudio no Twitter no qual Jair Bolsonaro diz claramente que não quer conversar com Bebianno, naquele momento: “Ô Gustavo,  complicado de conversar, ainda. Eu não vou falar, não vou falar com ninguém, a não ser estritamente o essencial. Estou em fase final de exames para possível baixa hoje. , ok? Boa sorte, aí”. O áudio foi compartilhado posteriormente pelo próprio presidente.

Confira o áudio.

Carlos Bolsonaro usou suas redes sociais para desmentir Bebianno sobre afirmações dadas á imprensa, que tinha conversado com Bolsonaro sobre as candidaturas laranjas na terça-feira, quando ele ainda estava internado no hospital Albert Einstein, em São Paulo. Carlos foi enfático: “É uma mentira absoluta de Gustavo Bebbiano que ontem teria falado 3 vezes com Jair Bolsonaro para tratar do assunto citado pelo Globo e retransmitido pelo Antagonista.”

Em entrevista a TV Record, o próprio Bolsonaro confirmou as informações do filho e reiterou: “É mentira”, disse o presidente na entrevista ao canal de TV, negando ter conversado com seu ministro a respeito da crise. O presidente disse ter ordenado à Polícia Federal que investigue os casos suspeitos no PSL. “Se for verdade, não tem outro caminho a não ser retornar às suas origens”, concluiu.

Enquanto Bebianno é fritado pelos “Bolsonaros” nas redes sociais, o PSOL apresentou um requerimento pedindo a convocação do ministro para prestar esclarecimentos na Câmara e uma representação criminal na Procuradoria-Geral da República.

Em entrevista a Globo News o ministro afirmou na noite desta quarta-feira, 13, que não pretende pedir demissão do cargo após a crise com o filho do presidente nas redes sociais.

Segundo Bebianno, a decisão é de Jair Bolsonaro: “Não tenho intenção de me demitir. Não fiz nada de errado, meu trabalho continua sendo em benefício do Brasil. O presidente, se entender que eu não devo mais continuar, ele certamente vai comunicar. Da minha parte, tudo foi feito com honestidade e correção, então vou esperar para ver o que acontece”.

Com informações: MSN Notícias, El País e Revista Veja