Bolsonaro promete novas trocas no comando da Petrobras

O presidente Jair Bolsonaro sinalizou neste sábado (20) que haverá mais trocas em seu governo, um dia após indicar o general Joaquim Silva e Luna para o comando da Petrobras no lugar de Roberto Castello Branco após os últimos reajustes nos combustíveis. A intervenção foi mal recebida pelo mercado e fez a empresa pública perder bilhões em valor de mercado.

“Vocês aprenderão rapidamente que pior do que uma decisão mal tomada é uma indecisão. Eu tenho que governar. Trocar as peças que porventura não estejam dando certo”, afirmou o presidente a novos soldados do Exército, numa formatura da Escola Preparatória de Cadetes do Exército, em Campinas (SP).

“E se a imprensa está preocupada com a troca de ontem, na semana que vem teremos mais. O que não falta para mim é coragem para decidir pensando no bem maior da nossa nação. O mais fácil é se acomodar, é se aproximar daqueles que não têm compromisso com a pátria.”

Em transmissão ao vivo pela internet, o presidente fez críticas ao ex-chefe da Petrobras. Embora tenha afirmado que não houve interferência na estatal ele sinalizou que ajustes serão feitos na forma de cobrança dos combustíveis.

“Quando há um aumento de combustível, o pessoal aponta e atira para o presidente da República. Isso vai começar a mudar, começou a mudar já. Temos que tirar quem está na frente da Petrobras. E uma curiosidade. Vocês sabiam que desde março do ano passado o presidente da Petrobras está em casa, assim como toda a sua diretoria? Não dá para estar à frente de uma estatal dessa forma. O novo presidente, caso aprovado pelo conselho, espero que seja aprovado, vai dar uma nova dinâmica à Petrobras, sem interferir, interferência zero, mas vai ter transparência e previsibilidade”, afirmou.

Impacto nos mercados

Segundo informações de gestores de investimentos, somente na sexta-feira a Petrobrás registrou uma queda de R$ 28,2 bilhões em redução de valor de mercado no Brasil e mais 30 bilhões no exterior. Para se ter uma ideia desta queda, a quinta-feira encerrou com uma ação da Petrobras da Bolsa de Valores com um preço de R$ 29,27, no final da sexta-feira a mesma ação custava R$ 27,33 uma queda de R$ 1,94 e a tendência é de que as ações da petroleira continuem caindo. Na bolsa de Nova York a queda foi de 10%

 O mercado vê com preocupação a interferência política do Presidente Jair Bolsonaro na Petrobrás. Para Fernando Ferreira, estrategista chefe da XP Investimentos, “desde o começo do ano, vários acontecimentos passaram a indicar um aumento dos riscos de interferência política nas empresas brasileiras, principalmente nas estatais”.

O analista destaca as principais interferências: 1) a quase demissão pelo governo do CEO do Banco do Brasil, André Brandão, após o anúncio do programa de corte de custos; 2) a renúncia do CEO da Eletrobras, Wilson Ferreira Junior, e suas declarações em seguida indicando que a privatização da estatal não estava nos planos; e 3) o aumento de ruído na Petrobras em relação a sua política de preços, após altas recentes por conta da depreciação do Real e alta do preço do petróleo.

Elevação do prêmio de risco do Brasil

Ferreira acredita que esses acontecimentos irão elevar o prêmio de risco do Brasil, e podem impactar a percepção do país por parte dos investidores estrangeiros, justamente no momento em que o país havia voltado ao radar dos investidores globais.

O analista destaca: desde o início do ano, já entraram R$ 28 bilhões de investimentos líquidos na B3 pelos investidores estrangeiros. Desde o início de novembro, após as eleições americanas e as notícias positivas das vacinas que levaram a uma forte alta das commodities e dos Mercados Emergentes, os investimentos estrangeiros somam R$ 81 bilhões.

Dessa forma, o Brasil corre o risco de ficar de fora do grande rali atual nos Mercados Emergentes e das commodities, caso o fluxo de investidores globais passe a sair do país, conclui.

Com informações Folha de São Paulo e XP Investimentos