Política supera a ficção no Brasil surreal

O Brasil é um País surreal onde a realidade supera a melhor das ficções. Nem Gabriel Garcia Marques, criador do realismo mágico, imaginaria um país como o nosso.

Com a prisão de Geddel Vieira Lima e a apreensão de 51 milhões num apartamento em Salvador, eis que surge a figura de Job Ribeiro Brandão, o contador de dinheiro.

Preso depois de ter suas digitais encontradas na dinheirama de Geddel, Brandão revelou que além de motorista do deputado Lúcio Vieira Lima, irmão de Geddel, ele era pago para contar o dinheiro da propina.

E como são sovinas os irmãos Vieira Lima. Apesar dos milhões encontrados no apartamento, sequer compraram uma maquininha de contar dinheiro para o Job Brandão – que também era obrigado a repassar 80% do salário ao deputado Lúcio. Por ter colaborado nas investigações, o ex-assessor está preso em regime domiciliar.

Na capital do Brasil surreal também tem o deputado Celso Jacob, do PMDB do Rio de Janeiro. Condenado pelo STF a mais de sete anos em regime semiaberto, ele cumpre pena enquanto exerce o mandato de deputado. Isso mesmo, como um espécie de lobisomem da política, de dia é parlamentar, a noite é recolhido ao presídio da Papuda.

E não é só isso. Semana passada o Jornal O Globo revelou que Celso Jacob continua recebendo da Câmara, todos os meses, quatro mil e duzentos reais a título de auxílio-moradia.

No último final de semana, ao retornar à penitenciária, Jacob foi flagrado com dois pacotes de biscoito e um queijo provolone escondidos na cueca. Já aconteceu de deputado ser flagrado com dólares na cueca, mas com queijo provolone é a primeira vez.

E para não deixar dúvidas do país surreal em que vivemos, o novo diretor-geral da Policia Federal, Fernando Segóvia, assumiu o cargo criticando a investigação da procuradoria Geral da República sobre a suposta pratica de corrupção de Michel Temer no caso JBS.

Para Segóvia, uma única mala não é suficiente para desconfiar que o presidente tenha participado de crime de corrupção. Então, fica a pergunta: quantas malas são necessárias para que o novo diretor geral da PF se disponha a investigar um caso de corrupção?

crédito: imagem da web

Fachin concede liberdade a Job Brandão

O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Edson Fachin concedeu (dia 28) liberdade a Job Ribeiro Brandão, ex-assessor do deputado Lúcio Vieira Lima (PMDB-BA).

A Procuradora Geral da República, Raquel Dodge pediu a revogação da prisão domiciliar porque o acusado está colaborando com as investigações sobre a origem de R$ 51 milhões encontrados no bunker do ex-ministro Geddel Vieira Lima.

No parecer a procuradora informou que Job Brandão foi ouvido pelo Ministério Público e pela Polícia Federal e revelou detalhes sobre uma suposta associação criminosa criada para ocultar valores milionários decorrentes de corrupção, organização criminosa e de peculato. Dodge também afirmou que Brandão ajudou nas investigações que podem revelar a origem do dinheiro.