Carmém Lúcia – Quando a Justiça tem lado

Após receber ofício do TRF4 determinando que Lula fosse preso, o juiz Sérgio Moro levou só vinte minutos para expedir a ordem de prisão. Ah, se a justiça no Brasil fosse ágil assim com todos, não é mesmo?

O STF ainda vai julgar duas Ações Declaratórias de Constitucionalidade que, em tese, podem favorecer Lula. Mas o ministro Marco Aurélio atendeu pedido de suspensão feito pelo desconhecido Partido Ecológico Nacional, autor de uma das ações, e adiou a decisão por cinco dias.

Só Deus sabe porque a novidade ecológico-partidária entrou com ação de constitucionalidade contra a prisão em segunda instância, mas ao se darem conta de que isso poderia beneficiar Lula, os tais ecológicos nacionais mudaram de ideia e soltaram essa: Não podemos favorecer o Lula. Nosso partido é de direita. Segundo a jurisprudência do STF, o Partido Ecológico Nacional não pode desistir da ação e o assunto voltará ao plenário do Supremo.

Pois é… No Brasil a justiça tem dessas coisas: o estilo do juiz, a fama do réu, o ano eleitoral e até o humor das redes sociais entra na mistura.

O que dizer do caso de Aécio Neves. Da última vez em que o tucano foi julgado no STF, a presidente da corte Carmen Lúcia deu um chega-pra-lá no assunto e devolveu a batata quente ao Congresso, para que se virassem por lá com o problema. A decisão beneficiou Aécio, é claro. Agora, a mesma Carmen Lúcia deu o voto de desempate que enviou Lula à prisão.

Na semana que vem finalmente a primeira turma do STF vai decidir se aceita ou não a denúncia de corrupção passiva e obstrução de Justiça, contra Aécio, no caso Joesley. O tucano também responde a outros nove inquéritos no Supremo, todos tramitando na lentidão do foro privilegiado.
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