Baderna não faz parte do jogo democrático

A afirmação é do Presidente da Ajufe- Associação dos Juízes Federais do Brasil após ser recebido em audiência pela Presidente do STF, ministra Carmem Lúcia.

A presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), ministra Cármen Lúcia, recebeu na manhã desta segunda-feira (15), o presidente do Tribunal Regional Federal da 4ª Região (TRF-4), desembargador Carlos Thompson Flores. Os dois conversaram sobre questões relacionadas à integridade dos prédios do Judiciário e à segurança de magistrados.

No sábado (13), o TRF -4 confirmou que vem recebendo ameaças feitas pela internet, telefone e cartas, direcionadas aos três desembargadores que vão julgar o recurso de apelação do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, contra sentença do juiz federal Sérgio Moro que condenou o petista a nove anos e seis meses de prisão.

O CNJ, que também é presidido pela ministra Cármen Lúcia, tem um departamento exclusivo para tratar da segurança de juízes e desembargadores.

Á tarde, Thompson Flores foi recebido pela chefe da Procuradoria Geral da República (PGR), Raquel Dodge

Associações de magistrados

A ministra Cármen Lúcia também recebeu em audiência os presidentes da Associação dos Juízes Federais do Brasil (Ajufe) e da Associação Nacional dos Magistrados da Justiça do Trabalho (Anamatra), os juízes Roberto Carvalho Veloso e Guilherme Guimarães Feliciano.

Eles foram demonstrar apoio aos integrantes do TRF-4, em razão de notícias de ameaças que circulam nas redes sociais.“Diante das ameaças e pressões que estão sofrendo, queremos prestar nossa solidariedade aos magistrados do TRF-4 para que possam julgar com independência e segurança”, afirmou o presidente da Ajufe.

Os representantes das duas associações informaram que enviarão ofício ao Conselho Nacional de Justiça (CNJ) para solicitar providências em relação à proteção do prédio do tribunal e à segurança dos desembargadores e seus familiares.

Salientaram ainda que o direito a manifestação deve ser preservado, no entanto, atos de violência e depredações transbordam esse direito e não devem ser tolerados.

Segundo o presidente da Ajufe, ameaças estão sendo veiculadas na internet. “Se o Brasil é uma democracia e existe um devido processo legal, com a possibilidade de recursos, por que se vai partir para a violência a fim de interferir no julgamento do processo? O teor das convocações que eu assisti foi no sentido de que iriam tocar fogo, tomar de assalto, invadir. Esse tipo de manifestação transborda a liberdade de manifestação”, destacou Roberto Veloso.

O Presidente da AJUFE, afirmou que a entidade defenderá sempre a independência de juízes e que “confusão e baderna não fazem parte do jogo democrático.”

Com informações STF/AJUFE

Imagem: STF