Judiciário ameaçado

Entidades representativas da Justiça Federal e do Ministério Público se reuniram na quarta-feira (31), em Brasília, para discutir estratégias para reagir a um ataque contra as atividades do judiciário no Brasil.
O julgamento do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva foi dado como exemplo, em que Lula, deputados e senadores de partidos aliados, pregaram abertamente a desobediência civil e o descumprimento da decisão judicial.

As associações de entidades de classe que participaram do encontro registraram preocupação com recentes manifestações, de militantes de partidos ligados ao ex-presidente Lula, contra a decisão em segunda instância que manteve a condenação e a ampliação da pena contra o petista no caso do triplex do Guarujá (SP), para 12 anos e um mês, com previsão de cumprimento da pena tão logo sejam julgados os embargos de declaração.

o presidente da Associação Nacional dos Procuradores da República (ANPR), José Robalinho disse que o resultado do julgamento do ex-presidente foi extremamente técnico: “Talvez para os poderosos seria mais interessante ter uma Justiça acovardada. Não existe qualquer perseguição ao ex-presidente Lula. Há um julgamento técnico e isento”, concluiu.

A Associação dos Magistrados Brasileiros (AMB), que representa 14 mil magistrados no país , afirma que a Justiça no Brasil nunca sofreu tantos ataques quanto nos últimos 24 meses.

O presidente da entidade Jayme de Oliveira afirmou: “ Percebemos um movimento coordenado com o objetivo de enfraquecer a magistratura e a democracia. Toda vez que o Judiciário cumpre seu papel e se agiganta, aumenta os ataques contra ele. É uma agressão baixa e vil contra a Justiça”, ressaltou.

Um documento com a assinatura de 18 mil magistrados foi entregue, no Supremo Tribunal Federal (STF) e na Procuradoria Geral da República (PGR), onde as associações condenam os ataques recentes ao Ministério Público e ao Judiciário.

O presidente da Associação de juízes federais (Ajufe),Roberto Carvalho Veloso, disse que vê com “extrema preocupação” as declarações do ex-presidente Lula, logo após a condenação em segunda instância, pelo Tribunal Regional Federal da 4ª região, insinuando que não pretende cumprir a pena.

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