Lula não é Mandela

Saia justa no Supremo Tribunal Federal. Tudo porque em 2016 a corte passou a admitir a execução da pena de prisão após decisão de um colegiado em segunda instância, mesmo que o processo continue em tramitação.
Agora, o STF precisa julgar o mérito de duas ações que pedem a suspensão da execução antecipada da pena após decisão de segunda instância. E a condenação de Lula em Porto Alegre põe mais lenha na fogueira.

Alexandre de Morais já se declarou contrário à nova regra. Gilmar Mendes pensa até em mudar de lado e ficar contra as condenações antes do processo transitado e julgado. Se a regra continua, Lula pode ir para a prisão. Se o Supremo correr com o julgamento do mérito enquanto Lula ainda está em liberdade, pode ser acusado de beneficiar o petista.

É bem verdade que pressões políticas têm influenciado decisões recentes da Suprema Corte. Quem não se lembra do caso de Aécio Neves, quando o STF jogou para o Congresso Nacional a responsabilidade de decidir o destino do tucano? Ficou a sensação de que pau que bate em Chico não bate em Francisco.

Enquanto isso, o debate em torno da condenação do ex-presidente Lula continua firme nas redes sociais. A militância do PT compara Lula com Nelson Mandela. Ora vejam só, Mandela passou 27 anos na prisão por um crime que não cometeu. Já Lula, apesar da robustez das provas que o incriminam, ainda não cumpriu um único dia da sentença a que foi condenado. Mas seu partido já o coloca em pé de igualdade com o líder sul-africano.

Ao sair da prisão, Mandela unificou a África do Sul, dando fim a séculos de conflitos. Lula nem bem foi condenado e já desafia a justiça, conclamando os movimentos sociais e o PT a um embate nas ruas. Não dá pra comparar. Mandela foi um pacifista, um líder que se destacou por sacrificar-se por seu país. Lula chegou a presidência da república prometendo acabar com a corrupção. E vejam no que deu.