Moro aceita convite de Bolsonaro para assumir Ministério da Justiça

Após reunião na casa do presidente eleito, Jair Bolsonaro, juiz Sérgio Moro deixou local sem falar com a imprensa, mas divulgou nota comunicando que aceitou o convite para assumir o Ministério da Justiça que irá acumular atribuições do atual Ministério da Segurança Pública, do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf) e Secretaria da Transparência e Combate à Corrupção (hoje subordinadas ao ministério da Fazenda), além da Controladoria-Geral da União (CGU).

Leia a nota oficial divulgada pelo juiz da Lava Jato: 

“Fui convidado pelo Sr. Presidente eleito para ser nomeado Ministro da Justiça e da Segurança Pública na próxima gestão. Após reunião pessoal na qual foram discutidas políticas para a pasta, aceitei o honrado convite. Fiz com certo pesar pois terei que abandonar 22 anos de magistratura. No entanto, a perspectiva de implementar uma forte agenda anticorrupção tomar esta decisão. Na prática, significa consolidar os avanços contra o crime e a corrupção dos últimos anos e afastar riscos de retrocessos por um bem maior. A Operação Lava Jato seguira em Curitiba com os valorosos juízes locais. De todo modo, para evitar controvérsias desnecessárias, devo desde logo afastar-me de novas audiências. Na próxima semana, concederei entrevista coletiva com maiores detalhes.”

 Para alguns magistrados ao aceitar o convite de Bolsonaro, Sérgio Moro reforça a ideia de que Lula é um preso político e valida as acusações de que o juiz atuou por motivações pessoais e de que deveria ter se declarado suspeito de julgar o ex-presidente.

Para a oposição, ao aceitar o convite de Bolsonaro, Moro passa recebido recibo que tem atuado como agente político.

Os advogados de defesa do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva ingressaram na 13ª Vara Criminal de Curitiba (PR), com um pedido de nulidade do processo relativo ao Instituto Lula, movido pelo Ministério Público Federal (MPF) e pelo juiz Sérgio Moro. A argumentação da defesa do ex-presidente é pela prática de lawfare (uso das leis e dos procedimentos jurídicos para fins de perseguição política).

No documento, os advogados apontam uma série de evidências relativas à prática de lawfare relativos à contribuição do juiz para a campanha de Bolsonaro com atos praticados no processo.

Eles alegam que a participação atual do magistrado em processo de formação do governo do Presidente eleito a partir de sufrágio que impediu a participação ex-presidente Lula — até então líder nas pesquisas de opinião — a partir de atos concatenados praticados ou com origem em ações praticadas pelo mesmo juiz. Os advogados, também questionam a participação de Moro no governo do Presidente eleito que afirmou que iria “fuzilar a petralhada”, que Lula deve ‘apodrecer na cadeia’ e que seus aliados têm a opção de ‘deixar o país ou cadeia’: reforço do lawfare e da ausência de imparcialidade do julgador”, conclui o documento.

E você acredita que Sérgio Moro fez bem em aceitar o convite?

 

Com informações: Metrópoles e Folha de São Paulo