Somos todos Mãe Baiana

Em reunião privada no dia 30 de abril, Sérgio Camargo, Presidente da Fundação Palmares depois de referir-se ao movimento negro como “escória maldita” e “vagabundos” dirigiu suas ofensas a uma mãe de Santo, conhecida em Brasília como Mãe Baiana.

Na gravação, Camargo rclama que informações da Fundação foram vazadas para uma mãe de santo, referindo-se a ela com palavrões. Ao ofender Mãe Baiana, Camargo ataca todos os representantes das religiões afro-brasileiras, além de ameaça-los com cortes de recursos da Fundação: “Não vai ter nada para terreiro na Palmares enquanto eu estiver aqui dentro. Nada. Zero, macumbeiro não vai ter nenhum centavo”, afirmou.

Além de ser mãe de santo, Adna Santos, a Mãe Baiana, ocupa o cargo de Coordenadora de Políticas de Promoção e Proteção da Diversidade Religiosa da Subsecretaria de Direitos Humanos e Igualdade Racial no Distrito Federal. Nesta quarta-feira Mãe Baiana prestou queixa à Delegacia Especial de Repressão aos Crimes por Discriminação Racial, Religiosa (Decrin). 

Mãe Baiana afirmou que vai recorrer a todas as instâncias de poder e que também prestará queixa à Delegacia Especial de Atendimento à Mulher (Deam).

A Instituição Educação e Cidadania de Afrodescendentes e Carentes (Educafro) apresentou uma representação ao Ministério Público Federal (MPF) contra Sérgio Camargo, por crime de racismo e ofensa à legislação.

O pedido de ação penal tem como base os áudios vazados da reunião interna. Para a Educafro, o presidente da Fundação Palmares, estabeleceu critérios “flagrantemente negativo às religiões de matriz africana”.

Para a entidade ele incorreu no artigo 20 da Constituição, que veda “praticar, induzir ou incitar a discriminação ou preconceito de raça, cor, etnia, religião ou procedência nacional”.

O documento diz ainda que “Ao afirmar categoricamente que as religiões de matriz africana não irão receber ‘um centavo’ da Fundação, Sérgio Camargo incorre na discriminação odiosa, violando, de sobremodo o Estatuto da Igualdade Racial e a Constituição da República”.

A Ordem Iniciática Cruzeiro Divino, ao mesmo tempo em que repudia as afirmações racistas, do presidente da Fundação que deveria representar a luta contra a discriminação racial no País lança a campanha “Somos todos Mãe Baiana – antifacista”.

Neste momento em que milhares de pessoas tomam as ruas das principais cidades americanas em protesto pela morte do afro-americano George Floyd, não podemos nos calar frente ao flagrante ato de racismo praticado pelo presidente da Fundação Palmares, instituição do estado criada com o objetivo de promover a preservação dos valores culturais, sociais e econômicos decorrentes da influência negra na formação da sociedade brasileira.

Nós mães, pais e filhos de santo das religiões de matriz africana, neste momento “Somos todos Mãe Baiana” e lembramos a celebre frase do pugilista Mike Tayson  “Numa sociedade racista, não basta não ser racista, precisamos ser antirracistas”