Bolsonaro – 100 dias de governo

Na semana em que completa 100 dias de governo, o Presidente Jair Bolsonaro é apontado pela pesquisa Data Folha como o pior presidente em ínicio de mandato, em comparação com todos os presidentes anteriores desde Fernando Collor de Melo.

Pela pesquisa, a população está dividida em fatias praticamente iguais: “30% acham que o Governo é ruim ou péssimo, 32% acham bom ou ótimo, enquanto 33% consideram a gestão regular”.

Os dados revelados pela pesquisa também não são bons para economia. Para um presidente que se elegeu como o “queridinho” do mercado, o data Folha aponta que a porcentagem de pessoas que acreditam que a economia vai melhorar caiu de 65%, em dezembro para os atuais 50% e os índices dos que acreditam que a economia vai piorar subiu de 6 para 11%.

Uma pesquisa divulgada pela XP Investimentos hoje, mostra que a avaliação do governo Bolsonaro sofreu uma forte queda também entre os peixes grandes do mercado financeiro.

O resultado da pesquisa não surpreende, embora o governo faça uma avaliação positiva dos primeiros 100 dias, ao afirmar que concluiu 95% das 35 metas estipuladas em janeiro, na prática o que se viu foi um festival de barbaridades em todos os níveis, de ofensas pessoais do “guru de Bolsonaro”, Olavo de Carvalho, a ministros civis e militares e ao vice presidente Hamilton Mourão  até a proposta de revisão histórica do Golpe de 64, que para os “bolsonaristas” mais convictos, não aconteceu.

100 dias de governo

A primeira polêmica começou nos primeiros dias do novo governo, com a ministra, Damares Alves, do Ministério das Mulheres, da Família e dos Direitos Humanos, ao proferir a célebre frase que viralizou na internet: “a nova era começou – agora menino veste azul e menina veste rosa”.

Era só o início de um festival de mal-entendidos e frases absurdas, que faria corar o saudoso personagem do jornalista Sérgio Porto, o Stanislaw Ponte Preta, com seu célebre livro “Festival de Besteira que Assola o País”.

O ministro da educação, exonerado nesta segunda-feira(08/04), Ricardo Vélez, também foi pródigo em besteiras, desde a exigência da execução do hino nacional com crianças perfiladas cantando o hino Nacional e, sendo fotografadas.  Até a leitura do slogan da campanha presidencial: “Brasil acima de tudo. Deus acima de todos!”. Teve que voltar atrás e se desculpou. Como polêmica pouca é bobagem, em entrevista a revista Veja ao defender a educação das crianças na escola, o ministro afirmou: “O brasileiro viajando é um canibal. Rouba coisas dos hotéis, rouba assentos salva-vidas do avião; ele acha que sai de casa e pode carregar tudo. Esse é o tipo de coisa que tem de ser revertido na escola”.

E o Presidente Jair Bolsonaro não deixou por menos, foram várias medidas e “desmedidas” anuncia e volta atrás, como na aquisição de livros didáticos sem referências bibliográficas. Só para citar um exemplo.

O Presidente também tem recebido críticas sobre a influência que seus filhos exercem sobre o governo, como no episódio em que o ministro da Secretaria-Geral da Presidência, Gustavo Bebianno foi o pivô de uma das primeiras crises do governo ao ser chamado de “mentiroso” em um tuíte do vereador Carlos Bolsonaro, validado pelo pai, o que provocou a demissão do ministro.

As viagens internacionais foram abundantes em polêmicas. No Paraguai, o ditador Alfredo Stroessner, um dos ditadores mais sanguinários da América do Sul foi lembrado, pelo presidente do Brasil, como um “estadista”. No Chile, elogiou o ditador Augusto Pinochet e nos Estados Unidos, depois dos pífios acordos celebrados, como a não exigência de vistos para que americanos entrem no País, o presidente afirmou que maioria dos imigrantes “não tem boas intenções”.  Depois voltou atrás.

Ao anunciar a transferência da embaixada do Brasil em Israel, de Telavive para Jerusalém, o presidente desagradou aos árabes. A Arábia Saudita suspendeu a importação de frango do Brasil. Depois, em visita a Israel, o anúncio cedeu lugar a instalação de um escritório de negócios do Brasil em Israel.

O Agronegócio, em pânico, tenta contornar a situação já que os países árabes são os maiores importadores de carnes do Brasil. Ao visitar o Centro Mundial de Memória do Holocausto, em Jerusalém, Bolsonaro corrobora a tese do ministro das Relações Exteriores, Ernesto Araújo, de que o nazismo é de esquerda.

A aproximação do presidente com Israel foi criticada pelo Hamas, a maior organização islâmica que controla a faixa de gaza. Foi o que bastou para que o Senador Flavio Bolsonaro (PSL-RJ) respondesse em uma rede social: “quero que vocês se explodam”! Depois apagou a mensagem!

Incomodado com críticas de filhos e aliados de Bolsonaro, nas redes sociais, o presidente da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia trocou farpas com o presidente, em uma crise desnecessária, que quase colocou em risco á votação da reforma da previdência, uma das principais metas do governo. Depois, a turma do “deixa disto”, jogou panos quentes na fervura da crise.

Talvez incomodado com as críticas de Escolas de Samba e de blocos de carnaval o presidente, que adora “tuitar”, divulgou um vídeo obsceno durante o carnaval. Após a divulgação do vídeo Bolsonaro lançou a pergunta: “Oque é Golden Shower? O vídeo viralizou na internet.

Fechando o ciclo dos “100 dias” de governo, Bolsonaro recomendou que os quartéis comemorassem o aniversário de 55 anos do golpe militar de 64.

A Defensoria Pública da União (DPU) ingressou com ação na Justiça Federal solicitando que as Forças Armadas “se abstenham de levar a efeito qualquer evento em comemoração a implantação da ditadura no Brasil”. O episódio criou uma guerra de liminares na justiça. Finalmente no domingo o Palácio do Planalto divulgou um vídeo em que mostra o golpe de 1964 como um período da história em que o Exército salvou o Brasil.

Foram 100 dias intensos, não há como negar! Agora o governo se mobiliza para aprovar a Reforma da Previdência e o Projeto “anticrime” do ministro da Justiça, Sérgio Moro, também chamado por Rodrigo Maia: de projeto corta e cola, mas isto são águas passadas.