Bolsonaro, o amigo dos índios

Em sua campanha eleitoral o candidato Jair Bolsonaro afirmava que as demarcações de terras indígenas atenderiam a interesses de outros países contra o interesse nacional. O candidato alertava para o risco de povos indígenas formarem Estados independentes do Brasil.

Como deputado, Jair Bolsonaro, entre outras ofensas aos povos indígenas, em 2004, em uma audiência que debatia a demarcação da Terra Indígena Raposa Serra do Sol, comparando índios com integrantes do MST, afirmou: “apesar de constituído por pessoas que falam nossa língua, não consegue fazer reforma agrária, enquanto índios fedorentos, não educados e não falantes de nossa língua conseguem possuir, hoje, 12% das terras brasileiras e fazer lobby no Congresso Nacional.

Eleito, uma das primeiras medidas do novo presidente foi transferir a Funai, Fundação Nacional do Índio para o Ministério da Mulher, Família e Direitos Humanos, comandado por Damares Alves.

A atribuição de demarcar terras indígenas e realizar licenciamento ambiental nesses territórios foi transferida para o Ministério da Agricultura Pecuária e Abastecimento –pasta ocupada por lideranças do agronegócio, ou seja, literalmente, o governo colocou a raposa tomando conta do galinheiro.

No início do mês de dezembro, o presidente defendeu, mais uma vez, o fim da demarcação de territórios indígenas, e justificou: “Ninguém quer maltratar o índio. Agora, veja, na Bolívia, temos um índio que é presidente. Por que no Brasil temos que mantê-los reclusos em reservas, como se fossem animais em zoológicos?”

Nesta semana (de 24 a 26 de abril), como acontece há 15 anos, será realizada a marcha dos povos indígenas e Acampamento Terra Livre, em Brasília. O Movimento reúne indígenas de diversas etnias e de vários pontos do país, que acampam na capital federal, trazendo suas reivindicações aos integrantes dos três poderes e costumam ser recebidos em audiências por essas autoridades. Este ano os povos indígenas serão recebidos, primeiro, pela Força Nacional de Segurança.

A partir da quarta-feira (17) o Ministro da Segurança Pública, Sérgio Moro, autorizou o emprego da Força Nacional na região da praça dos Três Poderes, em Brasília, por um prazo de 33 dias. Segundo a portaria do Diário Oficial da União o objetivo da medida é realizar ações para a preservação da ordem pública, a segurança das pessoas e a defesa dos bens da União.

A Bancada do PSOL na Câmara dos Deputados apresentou projeto de decreto legislativo para sustar a portaria do Ministério da Justiça. “Para o PSOL, trata-se de uma tentativa de impedir a livre manifestação, num momento em que se discute a reforma da Previdência e quando, na próxima semana, Brasília sedia a Acampamento Terra Livre”, informou o partido por meio de nota.

Para ficar bem com a opinião pública, no mesmo dia 17 o presidente Jair Bolsonaro fez uma transmissão nas redes sociais com lideranças indígenas e afirmou; “O índio tem que ser respeitado e vai ser respeitado enquanto vivo eu estiver”.

Mas para garantir uma distância “civilizada” entre ele e os índios, usou a Força Nacional de Segurança.