Deputado do PSL quebra obra em exposição sobre Consciência Negra na Câmara

O deputado Coronel Tadeu (PSL-SP) se manifestou (19/11) na Câmara dos Deputados ao rasgar uma placa afixada no túnel localizado entre o Anexo II e o Plenário da Câmara dos Deputados contra o genocídio da população negra. A imagem mostrava um homem negro algemado e deitado no chão e um policial como se tivesse acabado de disparar.

O deputado federal Coronel Tadeu (PSL-SP) foi até uma exposição na Câmara dos Deputados e quebrou uma das obras expostas – uma charge crítica ao racismo, feita pelo cartunista Carlos Latuff.

A charge fazia parte da exposição “(Re)existir no Brasil: Trajetórias Negras Brasileiras”, que celebra o Dia Nacional da Consciência Negra.

Alguns deputados de esquerda reagiram fortemente à atitude do Coronel. Áurea Carolina e David Miranda, do PSOL, estavam presentes na Casa e gravaram vídeos acusando o parlamentar de racismo. Ela afirmou, em suas redes sociais, que vai entrar com representação no Conselho de Ética e na Procuradoria Geral da República, contra Coronel Tadeu, além de ter registrado queixa na Polícia Legislativa da Câmara.

Os deputados David Miranda (Psol-RJ), Talíria Petrone (Psol-RJ), Benedita da Silva (PT-RJ) e Jandira Feghali (PCdoB-RJ) chamaram a Polícia Legislativa para documentar o ato de vandalismo. O quadro depredado ficou no chão.

Os deputados lembraram o gesto de um correligionário do Coronel Tadeu, o deputado Daniel Silveira (PSL-RJ), que durante a campanha quebrou uma placa que homenageava a vereadora Marielle Franco, assassinada em março do ano passado

Egresso da PM de São Paulo, Coronel Tadeu é defensor de policiais civis e militares.

. Em sua conta no Twitter, o deputado postou um vídeo do momento em que arranca o quadro da parede da exposição.

A polêmica surge em um momento em que a sociedade acompanha estarrecida o aumento da violência policial nas capitais, em especial no Rio de Janeiro, com um aumento assustador de crianças negras vítimas de “balas perdidas” nas favelas da capital Fluminense. Segundo o Anuário do Fórum Brasileiro de Segurança 2019 entre 2017 e 2018, negros representam mais de 75% das vítimas de mortes causadas por policiais.

http://www.forumseguranca.org.br/wp-content/uploads/2019/09/Anuario-2019-FINAL-v3.pdf

ONG brasileira denuncia violência policial contra negros para entidades internacionais

No início do mês a Organização Brasileira Educafro (Educação e Cidadania de Afrodescendentes e Carentes) levou à ONU (Organização das Nações Unidas) e à CIDH (Comissão Interamericana de Direitos Humanos) uma denúncia que pede o fim da política de enfrentamento das polícias brasileiras e investimento de porcentagem do PIB (Produto Interno Bruto) para financiar ações que promovam melhor uso da inteligência policial, reduzindo assim a letalidade das ações.

A ação vem como resposta da organização ao aumento da violência policial no Brasil no ano de 2019, puxada especialmente pelas áreas mais críticas nesse cenário: Rio de Janeiro e São Paulo, estados que, segundo a representação, concederam uma verdadeira “licença para matar”, em especial para jovens negros, que tem 2,5 vezes mais risco de ser vítima de homicídio do que brancos ou amarelos. No Brasil, os registros apontam que em cada 10 assassinatos praticados por ano, 7 são contra a população negra.

O Presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), criticou a destruição da obra e a atitude intempestiva  do parlamentar e afirmou  — Não é porque nós divergimos da posição da outra pessoa que nós devemos agredi-la verbalmente e fisicamente ou retirar de forma violenta, de uma exposição, uma peça que foi autorizada pela presidência da Câmara .

Rodrigo Maia, afirmou que é preciso resolver as pendências com o diálogo e não com a agressão.

— Não é um dia que marca de maneira positiva esta Casa, muito pelo contrário. Deveríamos estar defendendo a inclusão de negros na política, a igualdade de oportunidade. Não é agredindo um cartaz que pode até ser injusto com parte da polícia, mas poderia ter uma solução que não fosse retirando pessoalmente a peça — disse.