Manifestações de apoio a Bolsonaro

Em cerca de 150 cidades, manifestantes defenderam a reforma da Previdência e o pacote anticrime do ministro Sergio Moro. Houve também críticas ao Centrão e ao STF

Com a direita rachada, as manifestações pró-governo Bolsonaro realizadas neste domingo (26) pelo país exaltaram projetos defendidos pelos ministros Sergio Moro (Justiça) e Paulo Guedes (Economia) e concentraram críticas não só no centrão, mas também no presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ).

Os atos foram impulsionados pelo próprio presidente Jair Bolsonaro (PSL), que, apesar das recomendações de integrantes do governo para que mantivesse distanciamento, estimulou a mobilização ao espalhar imagens em redes sociais e dizer que ela era um “recado àqueles que teimam com velhas práticas”.

 De modo geral, porém, se o alcance no número de cidades  se aproximou dos protestos do último dia 15, contra bloqueios de recursos da educação pelo governo Bolsonaro, a participação popular ficou muito aquém dos protestos anti-governo, para isso basta comparar as imagens das duas manifestações.

Houve manifestações nos 26 estados do país e no Distrito Federal. Nas principais cidades, não houve registro de episódios de violência. Em Belo Horizonte, entretanto, um grupo mais exaltado defendeu o linchamento de profissionais da Rede Globo, que faziam a cobertura dos atos na capital mineira.

Confira o vídeo de Gladyston Rodrigues, do jornal Estado de Minas:

Manifestantes pró-Bolsonaro hostilizam equipe da TV Globo durante ato em BH. Aos gritos de “Globo Lixo”, um grupo impediu o trabalho dos jornalistas na Praça da Liberdade.

Alguns grupos, mais radicais, exibiam mensagens a favor do fechamento do STF (Supremo Tribunal Federal) e do Congresso —temas que afastaram parte dos grupos de direita, como MBL (Movimento Brasil Livre) e Vem Pra Rua, que tiveram grande protagonismo nas manifestações pré-impeachment da ex-presidente Dilma Rousseff.

Parte da bancada do próprio PSL chegou a se opor à mobilização devido ao temor que ela insufle a crise política enfrentada do governo para conseguir avançar com suas pautas no Congresso.

Um dos alvos dos discursos dos carros de som foi o Centrão (grupo informal com cerca de 200 deputados de partidos como PP, DEM, PRB, MDB e Solidariedade) que tem votado contra projetos do governo, o chute na canela mais recente  foi a retirada do Coaf – órgão que relata transações financeiras suspeitas – da pasta de Sérgio Moro repassando as atribuições para a pasta da economia.

Um dos principais críticos da desarticulação do governo, o presidente da Câmara Rodrigo Maia mereceu um boneco inflável da manifestação dos cariocas, com frases críticas como: “Não elegemos Maia presidente do Brasil” e “Rodrigo Maia inimigo do Brasil, funcionário do centrão”.

Em Brasília a concentração se deu em frente à Biblioteca Nacional de Brasília e contou com trios elétricos e um boneco gigante em homenagem ao ministro da Justiça, Sérgio Moro, caracterizado como super herói.

Em um carro de som na Esplanada dos Ministérios, manifestantes, ironizaram a polêmica licitação do STF para compra de refeições dos ministros, que incluía itens de luxo no cardápio. Eles se fantasiaram de lagosta, um dos alimentos previstos no pregão, que chegou a ser suspenso pela justiça de primeiro grau e depois liberado pelo TRF1.

Bolsonaro reconhece culpa na fata de articulação política com o Congresso Nacional

Após os atos pró-governo, no domingo (26) O presidente, Jair Bolsonaro concedeu entrevista à TV Record e chegou a reconhecerque tem culpa pela falta de comunicação com as Casas Legislativas. Bolsonaro afirmou que manifestações vieram “do coração do povo para cobrar o Legislativo”.

 “Foi uma manifestação espontânea. É um povo ordeiro que veio cobrar, pedir aos poderes Executivo, Legislativo trabalhem. Coloquem em pauta matérias que interessam para o futuro do nosso Brasil”, afirmou.

O Presidente assumiu, culpa na articulação com o Legislativo. “Devemos conversar um pouco mais. A culpa é minha também.”

Sobre os protestos contra cortes na Educação realizados em 15 de maio. O Presidente disse que exagerou ao chamar estudantes de “idiotas úteis”.

“Eu exagerei, concordo, exagerei. O certo são inocentes úteis. São garotos inocentes, nem sabiam o que estavam fazendo lá. Na teoria, usa-se a inocência das pessoas para atingir o objetivo. Uma vez atingido, as primeiras vítimas são exatamente essas pessoas. Então a garotada foi na rua contra corte na educação. Não houve corte, houve contingenciamento. Eu deixei de gastar, não tirei dinheiro. Segurei aproximadamente 3,6% do montante, que seria 30% de 12% das despesas discricionárias e a molecada foi usada por professores inescrupulosos para fazer manifestação política contra o governo”, disse.

Com informações das Agências