O inimigo do meu pai

As críticas do vereador Carlos Bolsonaro, ao vice-presidente Hamilton Mourão, começaram ainda durante a campanha presidencial, após o então candidato Jair Bolsonaro ser esfaqueado por Adélio Bispo de Oliveira, o militar teria criticado a gravação feita no hospital ao afirmar “Vamos acabar com a vitimização.” 

De pronto, Carlos Bolsonaro postou nas redes sociais que “o tal Mourão” achava que seu pai estava se fazendo de vítima: “Naquele fatídico dia em que meu pai foi esfaqueado por ex-integrante do PSOL e o tal de Mourão em uma de suas falas disse que aquilo tudo era vitimização. Enquanto um homem lutava pela vida e tentava impedir que o Brasil caísse nas garras do PT, queridinhos da imprensa opinavam”, ressaltou.

A partir deste episódio e de todos os outros que se seguiram o vice-presidente Hamilton Mourão tem sido alvo de farpas da dobradinha Olavo de Carvalho e Carlos Bolsonaro, duas espécies de “alter ego” do Presidente Jair Bolsonaro.

O inimigo do meu pai

Em outro post, sem citar diretamente Mourão, Carlos afirmou que quem despreza a suposta importância do escritor Olavo de Carvalho, guru do bolsonarismo, está demonstrando “total desconhecimento, se lixando para os reais problemas do Brasil ou acha que o mundo gira em torno de seu umbigo por motivos que prefiro que reflitam.”

Postagem publicada depois que Mourão atacou Olavo por críticas a militares. O vice afirmou que o escritor deveria se dedicar à astrologia.

No dia 08 de abril Carlos Bolsonaro apontou como “ato suspeito” o fato de Hamilton Mourão ter curtido um tuíte da jornalista Rachel Sheherazade, onde, ao comentar uma palestra de Mourão em Harvard, nos Estados Unidos afirmou: “finalmente um representante do governo não nos causa vergonha alheia. Muito pelo contrário. O vice nos mostrou como ele e o presidente são diferentes: um é vinho, o outro vinagre. Parabéns pela lucidez”.

Segundo o Estadão revelou, em voo de Brasília ao Rio de Janeiro, acompanhado por um deputado e senadores, o próprio presidente Jair Bolsonaro teria criticado o vice Hamilton Mourão. Para Bolsonaro Mourão se movimenta como uma espécie de presidente paralelo, mais interessado em holofotes.

Segundo o jornal, Bolsonaro comentou com os parlamentares não ter gostado, por exemplo, de Mourão ter aceito fazer palestra no Wilson Center, nos EUA, no dia 09 de abril, após receber um convite dizendo que os primeiros cem dias de governo foram marcados por paralisia política. O convite, entretanto, tratava o vice como “uma voz de razão e moderação capaz de orientar a direção em assuntos nacionais e internacionais”.

O inimigo do meu pai

Logo depois do “voo da queimação”, o filho de Jair Bolsonaro criticou publicamente Mourão e disse que não teria acreditado se não tivesse visto a convocação.

Com base no tal convite, dia 23, o deputado federal Pastor Marcos Feliciano, pediu o impeachment do vice-presidente, acusando-o de traição. O parlamentar argumentou em plenário: “Denunciei este convite, que foi a “gota d’água” que faltava, que, somada a “ópera inteira”, me levou a apresentar o pedido de impeachment do General Mourão por conspirar contra o presidente Jair Bolsonaro!”.

No dia 24, o presidente da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia, negou seguimento à denúncia por considerá-la “inadmissível” e ter “propósito acusador”, e ainda, por se tratar de condutas não referentes ao exercício do cargo.

Em café da manhã com jornalistas, nesta quinta-feira,25, o presidente Jair Bolsonaro minimizou a crise. Referiu-se ao vice como uma “sombra que às vezes não se guia de acordo com o sol, mas por enquanto está tudo bem”.

Ao ser questionado pelas críticas diárias que Hamilton Mourão vem recebendo de seu filho Carlos, o presidente afirmou:

“Não tem problemas. Como um excelente casamento, se todo mundo disser sim não vai dar certo”, e prosseguiu: “A gente continua dormindo junto. O problema é quem vai lavar a louça no final do dia” ou cortar a grama”. Bolsonaro continuou: “Sei que meu filho (Carlos) tem um ânimo um pouco exaltado. Esse casamento (com Mourão) é, no mínimo, até 2022″. É esperar para ver!

Com informações: O Estadão e Agências