Rede privada brasileira negocia 5 milhões de vacinas indianas

A Associação Brasileira das Clínicas de Vacinas quer adquirir 5 milhões de vacinas indianas. Representantes de uma rede privada anunciaram que pretendem viajar até a Índia para negociar com a Bharat Biotech que elaborou o imunizante. O objetivo da ABCVAC é adquirir a vacina para disponibilizá-las em clínicas particulares.

A Associação Brasileira das Clínicas de Vacinas pretende visitar as instalações da farmacêutica para verificar se a vacina é viável. O Setor pretende disponibilizar 5 milhões de vacinas indianas, ainda em 2021.

Preocupação de especialistas

Entretanto, especialistas em doenças infecciosas estão manifestando preocupação com a aprovação emergencial desta vacina produzida antes da conclusão dos testes.

No domingo (4/1), o governo indiano aprovou o uso da vacina do laboratório Bharat Biotech — conhecida como Covaxin — assim como do imunizante desenvolvido em parceria pela farmacêutica AstraZeneca e a Universidade de Oxford, que também está sendo produzido na Índia.

O presidente da Associação Brasileira das Clínicas de Vacinas (ABCVAC), Geraldo Barbosa, afirmou em entrevista à Globonews que a expectativa é de que o resultado da terceira fase de testes do imunizante indiano saia ainda neste mês de janeiro. Caso isso se confirme, o laboratório entraria em fevereiro com pedido de registro definitivo na Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa).

Barbosa disse que, em um cenário otimista, a vacina estaria disponível em clínicas particulares a partir da segunda quinzena de março.

Não está claro como funcionaria (e nem se de fato haveria) uma eventual fila na rede privada de vacinas no Brasil.

Críticas na Índia

O primeiro-ministro indiano, Narendra Modi, apontou a aprovação como uma “virada no jogo” da covid, mas especialistas em saúde alertam que a medida é apressada.

A entidade independente de vigilância de saúde All India Drug Action Network disse estar “chocada”. Para ela, há “preocupações significativas decorrentes da ausência de dados de eficácia”, bem como uma falta de transparência que “levantaria mais perguntas do que respostas e provavelmente não reforçaria a fé em nossos órgãos de decisão científica”.

A declaração da entidade foi feita depois que o controlador-geral de medicamentos da Índia, V. G. Somani, insistiu que a Covaxin é “segura e fornece uma resposta imunológica robusta”.

Ele acrescentou que as vacinas foram aprovadas para uso restrito no “interesse público como uma precaução, em modo de ensaio clínico, para ter mais opções de vacinação, especialmente no caso de infecção por cepas mutantes”.

“As vacinas são 100% seguras”, disse ele, acrescentando que efeitos colaterais como “febre baixa, dor e alergia são comuns a todas as vacinas”.

Enquanto isso o Ministério da Saúde,http://www.veracarpes.com.br/ninguem-me-pressiona-para-nada-diz-bolsonaro-apos-inicio-de-vacinacao-no-mundo/ não dá nenhuma previsão do início da vacinação pelo Sistema Único de Saúde, de uma imunização pública e gratuita para toda a população brasileira, e não apenas, para quem puder pagar por ela, como deve ser a intenção das clinicas particulares de vacinas.

Com informações: Correio Brasiliense